
Meu coração tardou. Meu coração talvez se houvesse amor nunca tardasse; Mas, visto que, se o houve, houve em vão, tanto faz que o amor houvesse ou não. Tardou. Antes, de inútil, acabasse. Meu coração postiço e contrafeito finge-se meu. Se o amor o houvesse tido, talvez, num rasgo natural de eleito, seu próprio ser do nada houvesse feito, e a sua própria essência conseguido. Mas não. Nunca nem eu nem coração fomos mais que um vestígio de passagem entre um anseio vão e um sonho vão. Parceiros em prestidigitação, caímos ambos pelo alçapão. Foi esta a nossa vida e a nossa viagem.
— Fernando Pessoa

Nuvens… São como eu, uma passagem desfeita entre o céu e a terra, ao sabor de um impulso invisível, trovejando ou não trovejando, alegrando brancas ou escurecendo negras, ficções do intervalo e do descaminho, longe do ruído da terra e sem ter o silêncio do céu.
— Fernando Pessoa

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um não. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
— Fernando Pessoa

— Fernando Pessoa

Sinto-me múltiplo. Sou como um quarto com inúmeros espelhos fantásticos que torcem para reflexões falsas uma única anterior realidade que não está em nenhuma e está em todas.
— Fernando Pessoa

O sonho é a pior das cocaínas, porque é a mais natural de todas. Assim se insinua nos hábitos com a facilidade que uma das outras não tem, se prova sem se querer, como um veneno dado. Não dói, não descora, não abate – mas a alma que dele usa fica incurável, porque não há maneira de se separar do seu veneno, que é ela mesma.
— Fernando Pessoa